Término da primeira fase do projeto de manutenção de grupos 2011, concedido pela secretaria de cultura do estado da bahia e fundação cultural do estado da Bahia. Catalogação de fotos , videos, cénarios, e figurinos ... muito trabalho !!!
Projeto promove bate-papo sobre Dança e Intervenção Visual no Cine Teatro Solar Boa Vista
Na próxima Terça-feira, dia 20/09, o Cine Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas) realiza a 8ª edição do projeto Paredes em Movimento, que mescla Dança e Artes Visuais. A cada edição, o acontece um bate-papo sobre temas relacionados à dança e uma intervenção visual nas paredes do SOLAR.
Desta vez, o Papo SOLAR aborda o tema "Quarta que Dança - Trajetória do Movimento da Dança na Bahia 2007-2009" e conta com a participação de Marcelo Moacir, João Perene, Robson Correia e Leandro de Oliveira. Os artistas além de contar suas experiências com o Quarta que Dança, projeto realizado pela Diretoria de Dança da FUNCEB e que em 2011 será realizado também no SOLAR, e ainda irão apresentar suas percepções sobre os rumos da Dança na Bahia, entre 2007 e 2009.
A intervenção visual fica por conta da Labfoto que apresentará a exposição Espetáculos do Corpo, que tem a curadoria assinada por Agnes Cajaíba e José Mamed.
Enfim... depois de três dias de audição,tenho que agradecer ao empenho de todos os mais de 68 inscritos (não contando com aqueles que chegaram no dia)que foram reduzidos para 14 e agora depois de muito sofrer, pensar e conversar com a equipe...escolhemos os três mais novos integrantes da Cia João Perene Núcleo de investigação coreográfica...e eles (Ramon Moura, Raphael Novaes e Cezar Núnes)ainda nem fazem idéia rsrsrsrsr
Em março de 1998, recebi uma ligação de Ieta (Julieta Lomanto) me chamando para uma conversa, acontecida dias depois, onde me convidou para assumir o Espaço Xis, que seria reaberto semanas depois. O desafio me assustou mas me animou e cheio... de sonhos e idéias, fui viver a experiência da gestão pública de cultura. Até então vinha atuando como produtor no mercado teatral baiano (sim, na década de 90 nós tínhamos um mercado de trabalho para os artistas de teatro, com problemas e dificuldades que hoje parecem café pequeno...). No papo com Ieta veio a questão central: que conceito seria atribuído ao mais novo espaço cultural da cidade (o Xis de antes era um arremedo de teatro, cumpria suas funções heroicamente mas com grandes limitações). Aí veio a contribuição fundamental e luminosa de Marise Queiroz, à época assessora de Ieta, que disse "o teatro tem muitos espaços, atenções, investimentos, precisamos fazer algo pela dança". E foi assim, numa idéia articulada por Marise e Julieta, contando com minha experiência de produtor e gestor, que nasceu o Quarta Que Dança. Ainda naquele ano tivemos a primeira edição. Dois anos depois, em 2000, propusemos o projeto via Fazcultura e conseguimos ter patrocínio nos quatro anos seguintes (Copene/Braskem e Coelba). Em 2005 o Quarta Que Dança passou a ser realizado com recursos do Fundo de Cultura. E o que esse relato tem a ver com o artigo de GVT? Foi no palco do Xis que tive o prazer de assistir toda uma geração de coreógrafos e dançarinos baianos (e, eventualmente, convidados de outros lugares, do Brasil e do exterior) mostrarem seu talento, num projeto que desde seu começo mostrou a que veio e deu muito certo. Ano após ano, mesclávamos o talento exuberante de Jorge Silva, Marcelo Moacyr, Mirela Misi, Ciane Fernandes, Rita Rodrigues, Lia Rodrigues, Jussara Setenta, Fafá Daltro, Betty Grebler, Cristina Castro, Paco Gomes, Mestre King, Isabele Cordeiro, Ludmila Pimentel, Fátima Suarez, mesclado a talentos (à época) emergentes como Perene, Aroldo Fernandes e Iara Cerqueira (o His surgiu no Quarta Que Dança), Clara Trigo, Denny Neves, Sandra Santana, Anderson Rodrigo, Matias, Clenio Magalhaes, Liria Morais, e mais um monte de gente talentosa que não cito porque a memória me trái agora. Apesar do Quarta Que Dança ter continuado na gestão seguinte, um dos poucos projetos que foi mantido inclusive com seu nome original, a gestão desastrosa e desgraçada de uma certa senhora, Diretora de Dança da FUNCEB, cujo nome escolho não falar porque não merece o crédito de ser pronunciado por mim, acadêmica no sentido menor da palavra e pior na análise de GVT, transformou o Quarta num espaço de experimentações estéticas pífias, pobres de criação, de inspiração, de idéias, de conceitos que desarticulam a função ética-estética da arte de emocionar e fazer pensar, de entreter e contribuir para o aprimoramento de nossos olhares, enfim, o Quarta Que Dança se tornou uma seara de resultados vergonhosos e que o atual diretor de Dança, Alexandre Molina, uma pessoa muito querida, que veio para a Bahia graças a um convite meu feito a Wagner Schwartz para apresentar Transobjeto no Quarta e que depois se radicou aqui, não teve como reverter porque o mal já estava feito, afinal, este ranço maldito que defende, difunde e sustenta uma não-dança, um movimentar-se (isso quando há movimentos, gestos...) hermético, incompreensível, inintelegível, chato, de uma verborragia corporal desprovida de dramaturgia, de capacidade de emocionar, espalhou-se como praga pela dança da Bahia, substituindo a poética do dançar por uma outra coisa que não consigo dar nome. Por tudo isso, quando leio o artigo de GVT, me vem um gosto amargo à boca. Sobretudo pela constatação de como os artistas são frágeis diante das vontades e egolatrias dos políticos de ocasião, de como as pessoas que criam, que concebem, que idealizam, que contribuem com sua arte para o mundo, são sujeitadas e subordinadas a uma lógica de fomento que atende sobretudo aos interesses políticos dos governantes à época com a caneta na mão. Se nos governos de antes tivemos um pouco mais de sorte, algumas de nossas idéias encontraram trânsito, no atual tudo se tornou tão complicado, porque a suposta meritocracia da inclusão e da distributividade pauta a agenda governamental, suprimindo qualquer possibilidade de uma visão mais alargada, capaz de dialogar de formas diferentes com diferentes modos de criar e fazer arte. Feito o desabafo, volto à memórias de ver Bárbara dançando com Acúmulo de Desejos de Jorge Silva, do encanto de ver Marta Saback, Alice Becker e Nelma Seixas, transfiguradas de Medeias de Perene...
Sempre tive vontade de escrever sobre Bárbara Barbará, desde o dia que a vi dançando a coreografia Ulisses, do Viladança. Depois disso, trabalhamos juntos num processo e o que de melhor podia acontecer acabou sendo o pior para minhas intenções críticas. Namoramos durante um bom tempo, depois de conquistá-la através de uma canção minha que – não por acaso – é uma das mais belas que eu considero ter feito.
Como eu mesmo digo na canção, de uma forma ou de outra “a única coisa certa é que tudo acaba”. Ou se transforma. E o fato de não mais estarmos juntos acabou ampliando minha admiração pela artista – pois a visão tendenciosa se esgotou – e foi aberta a possibilidade de, através desta sensacional bailarina, pensar a dança e sua relação com ela.
Assisti, ontem, Bárbara dançar um trecho de Desejo fatiado, de João Perene. A presença de Bárbara foi marcante porque, a despeito da qualidade inegável de boa parte dos bailarinos que passaram por Perene, era neste que eu via a verdade de sua arte; quando ele entrava em cena sua movimentação finalmente ficava prenhe de sentido e força. E assim o foi com Bárbara dançando, também. Sua técnica, expressão e força ressignificaram a dança de João Perene e me deixaram extasiado diante daquela movimentação impactante e bela.
Usei as palavras “técnica, expressão e força”, pois foi assim que Mestre King, decano da dança de Salvador, se referiu elogiosamente ao trabalho de João Perene, numa apresentação no Xisto Bahia. A apresentação contou ainda com uma trabalho capitaneado por Armando Pekeno e Augusto Omolu, bailarinos com história em seus corpos, história essa que esses trabalhos recentes de Salvador não trarão aos corpos da cena nem da plateia; e foi justamente esse o discurso de Mestre King, criticando a péssima fase da dança em Salvador, sem técnica, expressão e força, mas cheia de conceitos pra explicar essas ausências.
Ora, amparar-se em conceitos, teorias e se valer de outras áreas para justificar ideias é algo que a academia – em boa parte de sua masturbação teórica inútil – se vale para que um acúmulo de verborragia desnecessária se acumule em prateleiras, apenas saindo delas para retroalimentar teorias que, endogenamente, apenas reforçam uma confraria de acadêmicos que ficam no círculo vicioso de elogios, aprovações em bancas, editais e prêmios.
Com um mínimo de perspicácia, posso em seis meses me valer de uma vasta bibliografia para comprovar que o som advindo de uma flatulência é música. E nem por isso uma sinfonia de peidos será agradável de ser ouvida. Muitas conceituações em dança se valem de princípios parecidos, e com esse processo árido e danoso à dança, a academia, o conceito, a teoria é que vai ao palco; quando deveria ser o processo inverso. Raramente os conceitos acadêmicos influenciaram a criação artística – e sempre quando houve alguma tendência nesse sentido tivemos experiências ruins, como o povo de teatro que quer pegar um livro superestimado que fala sobre um tal “teatro pós-dramático” e, a partir de suas conceituações, criar peças teatrais.
Bárbara Barbará, com sua exuberância de bailarina, participou de praticamente todos os trabalhos que, nestes últimos anos de destruição da dança em Salvador, se salvaram; no meu ponto de vista. Não à toa, os coreógrafos, que eram mais produtivos e que apresentavam obras de maior destaque, trabalhavam ou passaram a trabalhar com ela. E são justamente estes que não têm produzido por conta de um domínio de uma mentalidade acadêmica que tolheu a criatividade da dança soteropolitana.
Para completar, justamente quando um governo de esquerda assume o poder na Bahia, a principal política pública desenvolvida (e que não é política cultural) foi a política de editais. Distribuir mais dinheiro para a dança através de edital. Um pensamento neoliberal de que basta dar o dinheiro, aumentar as possibilidades de acesso ao dinheiro e pronto, estamos fazendo o bem da dança. E a prefeitura (o artigo sobre ela está sendo gestado) é vergonhosamente nula.
Nestes quatro anos de aumento de verbas em editais, muito mais gente fez arte na exata proporção em que nenhum trabalho significativo ficou dessa temporada invernal. Vamos olhar pra trás, com toda a grana disponibilizada, e lembrar de qual grande trabalho de dança ou teatro marcante? Talvez, em música, lembremos das diversas ações com música eletrônica; esta que pareceu, por vezes, ser o foco da política pública do estado. Isso a despeito do governo, no apagar das luzes, ressuscitar o “Pelourinho dia & noite” da gestão passada com novo nome fazendo o óbvio que, nos mais de três anos de abandono, o Pelourinho precisava.
Bem, não falei quem são os três coreógrafos. Um deles, João Perene, já foi citado. Cristina Castro, a outra, conseguiu com o Viladança uma ideia de profissionalismo ligado à criação artística que fazia suas coreografias ficarem um mês em cartaz com casa cheia, criando espetáculos que ficaram no imaginário da cidade. Em Aroeira e Habitat, últimas criações do Viladança, Cristina finalmente deu um solo a Bárbara, coroando o trabalho dessa dançarina que foi, junto a Simone Bonfim, a dançarina que mais simbolizou o trabalho do terceiro coreógrafo a ser citado aqui; Jorge Silva. Esse, pra mim, vinha produzindo um trabalho que, mais do que um nível internacional, está entre as melhores coisas que sei da dança no mundo. Mas está colecionando perdas em editais e vendo seu trabalho tolhido pela falta de políticas públicas que possam potencializar o talento desse artista.
Numa homenagem feita a Saul Barbosa, compositor e violonista baiano falecido recentemente, fui correndo assistir um duo de Bárbara com Leandro de Oliveira; um alívio aos meus olhos, mas também um choque. Vi bailarinos talentosíssimos noutras coreografias da homenagem, todos praticamente oriundos da Escola de Dança da Fundação, que poderiam formar companhias de dança fenomenais; e todos obscuramente perdidos e sem espaço para efetivamente mostrar seu trabalho (assim como tantos outros talentos parados por aí). O alívio que senti naquela homenagem Mestre King sentiu ontem, na apresentação de João Perene, junto comigo.
Uma bailarina como Bárbara, que devia ter a agenda cheia de trabalhos, vive das migalhas de apresentações aqui e acolá. Aonde esse equívoco todo vai dar, eu não sei. Só sei que aqui vou eu, quixotescamente, conquistando a inimizade de muitos, por ser o único a expor o sentimento de tantos que, covardemente, se calam e permitem que a dança se paralise no conceito e a arte morra na cidade. Salvador é a cidade do silêncio intelectual que corrobora sua mediocridade.
Dulcinéias como Bárbara ficam distantes dos palcos. E eu combaterei moinhos atrás da dança que restará.
Dia 17 de Dezembro, as 20 horas, dentro da programação de reabertura do teatro Xisto Bahia, a Cia João Perene de investigação coreográfica estará apresentando “FRAGMENTOS REVISITADOS” um mix de espetáculos, dentre eles uma prévia da nova montagem com estréia prevista para 2011 “ISTANTE DILATADO” (Work in Progress) entrada franca!
Elenco: Barbara Barbará, João Perene, Marcley Oliveira, Marcio Fidelis
Este espetáculo acabou sendo um divisor de águas em minha vida, proporcionou experiências reais extremas ,que perpassou da mais prazerosa a mais trágica.
Muito tempo se passou, e a terra redonda rodou...O mundo deu muitas voltas e nestas voltas mudou!
A partir daí comecei a entender o tal provérbio “Deus escreve certa por linhas tortas”, mas ainda questiono: PÔ DEUS !Porque tinha que ser tão tortas estas linhas? Não poderia ter pegado um pouquinho mais leve? Vá entender!?Mas enfim...tudo tem um pra que e um porque.
Resumindo: Serviu para que ao invés de viver as historias dos outros, criar a minha própria Historia.
Depois do premio Yanka Rudzka de montagem, com o projeto “Instante Dilatado” na semana passada, hoje fomos mais uma vez beneficiados no edital da fundação cultural do estado da Bahia, com o apoio a manutenção de grupo durante um ano!
Como sabiamente já disse Charles Chaplin “A persistência é o caminho do êxito”
Entre altos e baixos estamos sempre sendo agraciados com premiações que acabam nos propiciando acreditar cada vez mais que estamos nos caminho certo, sem terque nos corrompermos aos modismos, mas sim sermos fieis a nossas convicções.
Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?
Existem poucas companhias de dança no mundo, que não podemos deixar de conferir para que possamos rever os nossos e “novos” conceitos estéticos. uma delas é a SANKAI JUKU!Que pela primeira tive a oportunidade de ver pessoalmente com o espetáculo: ”TOBARI” uma Cia que nos remete a uma época fértil em que grandes espetáculos eram concebidos e arrebatavam as platéias no mundo!
Será que o mundo não vai sair desta grise de criatividade?
Hoje saiu a lista dos contemplados com o premio Yanka Rudzka de Montagem,e mais uma vez o Núcleo foi contemplado com o projeto”Instante Dilatado”que Fazendo uma analogia entre o conceito do sociólogo Zigmunt Bauman que pontua um Mundo que ele identifica como líquido, em que as relações escorrem sem muitos obstáculos, marcadas pela ausência de peso, em constante e frenético movimento; e o fenômeno mundial do reality show; na obra seis pessoas executam ações autônomas, e deixam uma pergunta no ar:
O que acontece quando se vive em isolamento? Pode o corpo transformar-se em natureza morta?
Eis que um dia chega a minha frente uma criaturinha fofa, que me pediu através de uma amiga; se teria a possibilidade de ficar indo aos nossos processos de crições e ensaios de espetáculos, para poder treinar e entender como fotografar dança.E apartir dai todos os dias olha ela lá!
Não demorou muito para que esta coisinha fofa se transformasse em uma fera!!!
Seu nome??
PATRÍCIA CARMO!!!
Fotos do espetáculo "Farpas e Lâminas de um corpo visível"
João Perene Núcleo de Investigação Coreográfica Concebido em 2004, a partir do prêmio Estímulo de Dança da FUNCEB, o João Perene Núcleo de Investigação Coreográfica tem foco no movimento na dança contemporânea. O objetivo do projeto Manutenção João Perene Núcleo de Investigação Coreográfica foi propor uma reflexão sobre a identidade e a representatividade da dança produzida pelo grupo no cenário nacional e internacional. A base do projeto consistia em ensaios, aulas para o elenco, pesquisa coreográfica, construção de um novo espetáculo, remontagem de três outros, além de workshops e mostra de vídeodança. O projeto previa ainda a contratação de professores de dança e de profissionais ligados à cenotecnia, o que contribui para a geração de renda e emprego para outros profissionais do Estado. João Perene conta: “O contato com uma estrutura financeira e administrativa nos possibilitou um conforto em função da arte. Pudemos nos sentir mais respeitados e seguros para contratar pessoas capazes de realizar bons serviços. Um exemplo disso foi o intercâmbio com o Balé Teatro Castro Alves – BTCA, que nos proporcionou a contratação de professores mais voltados à linguagem contemporânea, como Beth Grebler e Fafá Daltro. Outra possibilidade foi uma maratona de apresentações para reapresentar coreografias antigas”. A participação na chamada pública ainda afinou a relação do grupo com o poder público: “Atualmente, temos um diálogo aberto. Somos convocados para discussões e debates para revisão de conceitos dos editais, por exemplo, e assim é possível criar ações específicas para a área. Investir em manutenção de grupos é fomentar a dança e educar a sociedade para consumir dança, e a levar para outros espaços”, finaliza João.